Olá pai,
Já não te escrevo à tanto tempo. Todos os dias penso em ti, todos os dias penso nos natais que passávamos juntos e esta época é a mais triste. Sinto falta da união familiar principalmente no natal. Eras a alegria da casa…preciso tanto de ti aqui, preciso das tuas brincadeiras e do teu sorriso doce. Acabei agora de ver um filme e a última imagem do filme foi o céu como nossa segunda casa. Fiquei a pensar se realmente passas o natal como nós. Sinceramente é tudo tão complicado… a vida não tem sido fácil. Por mais sorrisos, é tudo uma treta exterior. Interiormente sinto-me frágil, sinto-me triste, revoltada, vazia e sobretudo com muito medo. Tenho medo de perder e não voltar a ter. Posso dizer que a vida tem sido um caminho curto e a cada passo, encontro um buraco para tapar. É uma definição pouco concreta e estranha, mas se fechar os olhos eu nem sei o que pensar. Pergunto-me se perder-te não chegou, porquê que a mãe agora tinha de estar doente? Porquê que os anos passam a correr, que fazem com que os avós fiquem mais velhos? Porquê que tenho medo de tudo? Eu não merecia, os manos não mereciam, ninguém merecia isto. Tenho tanta pena dos manos, são tão novos e estão na idade de ter outras preocupações, porquê que têm de passar por isto tudo? Eu sei que só faço perguntas, tenho pena de não conseguir respostas. Quanto mais o tempo passa, as coisas tornam-se piores. Tenho saudades de ser pequena, tenho saudades das pessoas que me fazem feliz e principalmente tenho saudades de dizer olá pai. Pai, és o meu orgulho e a pessoa que mais desejo encontrar. Estarás sempre no meu coração, até breve.
amo-te!
amo-te!
19-12-2011









